Aprendi que a dor é muito mais do que um nome que se dá ao sofrimento. E nem sempre dor é sinónimo de sofrimento. Muitas vezes e na maioria das vezes não se escolhe sentir dor, mas das muitas vezes que sentimos dor escolhemos o sofrimento. Muitas vezes nos perguntamos o porque de sentir dor. Seja dor de rim, seja dor de cabeça, seja dor que não se sinta no corpo, seja dor no coração, na alma. Mas a dor é muito mais complexa do que uma simples aflição ou agonia. A dor ás vezes é apenas um alerta para o que está por vir. Ás vezes uma dor pode ser algo muito mais sério do que parece. "Ás vezes" e estou a usar muito esta palavra, porque a dor é assim, acontece ás vezes, e ás vezes dura horas, e ás vezes dura dias, e ás vezes dura apenas alguns segundos, mas também pode durar anos, décadas e séculos, e ás vezes a que dura alguns minutos dá a sensação de uma eternidade. Independente da intensidade, como e quando, o que vale mesmo é o que a dor te passa depois da dor passar. Depois que passa vêm o alivio, e por sentir tanto alivio acabamos menosprezando a dor passada e por isso deixamos de avaliar o que aprendemos com a dor e o que poderíamos fazer para que uma possível dor parecida possa ser evitada. Quero deixar uma coisa bem clara sobre isso que acabei de dizer. Não á nada que possamos fazer para que uma dor seja evitada, porque toda dor têm um propósito, uma razão, causa e circunstância. Talvez o que possamos fazer é aprender lidar com a dor. Querer evitar uma dor não é um bom caminho, fingir que está tudo bem é mentir para si mesmo. Tudo que acontece ao decorrer das nossas vidas, soma. E o tempo que passa subtrai. Essa é a matemática da vida, uma conta com números naturais, inteiros, irreais. Vivemos uma contagem regressiva. A dor soma, subtrai e também se divide e multiplica, se esquece e se compartilha. A dor irrita, entristece, desanima.
Mas só na dor as pessoas crescem.
