A morte parece-me tão sedutora e encantadora neste momento, tão fria e acolhedora. O silêncio no escuro dentro do caixão, sem ter nem o som da minha própria respiração para ouvir, sem a minha mente acusando-me de coisas que não fiz. Ou pregando peças com as lembranças mais dolorosas que alguém poderia ter. Sem pessoas dizendo-me o que fazer, ou criticando-me, fazendo-me sentir um nada ou deixando-me insegura. Apenas sentindo a minha pele e entranhas decompondo-se sendo consumidas por insectos, fungos, bactérias. Sozinha comigo mesma como nunca antes estive. Somento um corpo vazio sem uma alma ou espírito para preênche-lo. Sem pensamentos ou sentimentos de agonia, dor, angustia e apreensão. Sendo devorado vagarosamente por insectos e ainda assim não sentindo absolutamente nada, não me importando com absolutamente nada.
